A IGREJA NA ÁFRICA

TERCEIRA FASE

A terceira fase de evangelização sistemática da África começou no século XIX, período caracterizado por um esforço extraordinário, promovido por grandes apóstolos e animadores da missão africana. Foi um período de rápido crescimento, como demonstram claramente as estatísticas apresentadas na Assembleia Sinodal pela Congregação para a Evangelização dos Povos. A África respondeu, com grande generosidade, ao chamamento de Cristo. Nestes últimos decênios, numerosos países africanos celebraram o primeiro centenário do início da sua evangelização. O crescimento da Igreja em África, de há cem anos para cá, constitui verdadeiramente um prodígio da graça de Deus.

A glória e o esplendor do período contemporâneo da evangelização neste Continente são ilustrados de forma admirável pelos santos que a África moderna deu à Igreja. O Papa Paulo VI pôde exprimir eloquentemente esta realidade, quando canonizou os mártires do Uganda na Basílica de S. Pedro, por ocasião do Dia Mundial das Missões de 1964:

“Estes mártires africanos acrescentam ao álbum dos vencedores, chamado Martirológio,
uma página ao mesmo tempo trágica e grandiosa, verdadeiramente digna de figurar ao lado das célebres narrações da África Antiga. (...) A África, orvalhada com o sangue destes mártires, que são os primeiros desta nova era (e queira Deus que sejam os últimos — tão grande e precioso é o seu holocausto!), a África renasce livre e resgatada“.
 
A lista dos santos que a África dá à Igreja, lista que é o seu maior título de honra, continua a crescer. Como poderemos deixar de mencionar, entre os mais recentes, Clementina Anwarite, virgem e mártir do Zaire, que beatifiquei em terra africana no ano 1985, Vitória Rasoamanarivo de Madagáscar, e Josefina Bakhita do Sudão, beatificadas também elas durante o meu Pontificado? E como não recordar o Beato Isídoro Bakanja, mártir do Zaire, que tive o privilégio de elevar às honras dos altares durante a Assembleia Especial para a África?
 
“Outras causas vão maturando. A Igreja em África deve providenciar à redacção do seu próprio Martirológio, juntando às magníficas figuras dos primeiros séculos (...) os mártires e os santos das épocas recentes“.
 
Defronte ao crescimento admirável da Igreja em África nos últimos cem anos, diante dos frutos de santidade que se obtiveram, não há senão uma explicação possível: tudo isso é dom de Deus, porque nenhum esforço humano teria conseguido realizar semelhante obra, num período relativamente tão breve. Contudo, não há lugar para triunfalismos humanos. Lembrando o glorioso esplendor da Igreja neste Continente, os Padres Sinodais quiseram apenas celebrar as maravilhas operadas por Deus para a libertação e salvação da África.  
 
“ Tudo isto veio do Senhor, e é admirável aos nossos olhos “ (Sal 118 117,23).
 
“ O Todo-Poderoso fez em Mim maravilhas, Santo é o seu Nome “ (Lc 1,49).
(Cf. Papa Joao Paulo II, Exortação Apostólica Pós-Sinodal Ecclesia In Africa 1995, n.30-34)