A IGREJA NA ÁFRICA

Breve história da evangelização no continente.
 
No dia da abertura da Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos, primeira assembleia do gênero na história, os Padres Sinodais recordaram algumas das maravilhas operadas por Deus ao longo da evangelização da África. É uma história que remonta à época do próprio nascimento da Igreja. A difusão do Evangelho deu-se em diversas fases. Os primeiros séculos do cristianismo viram a evangelização do Egito e da África do Norte. Uma segunda fase, envolvendo as regiões daquele Continente situadas ao sul do Saara, teve lugar nos séculos XV e XVI.
Uma terceira fase, caracterizada por um extraordinário esforço missionário, teve início no século XIX.

Papa Paulo VI  *26/09/1897  †06/08/1978

PRIMEIRA FASE

Numa mensagem aos Bispos e a todos os povos da África, em ordem à promoção do bem-estar material e espiritual do Continente, o meu venerado predecessor Paulo VI recordou, com palavras memoráveis, o glorioso esplendor do passado cristão da África: “Pensamos nas Igrejas cristãs de África, cuja origem vem dos tempos apostólicos e está ligada, segundo a tradição, ao nome e ensinamento do evangelista Marcos. Pensamos no coro inumerável de santos, mártires, confessores, virgens, que a elas pertencem. Na realidade, desde o século II ao século IV, a vida cristã, nas regiões setentrionais de África, foi
intensíssima e esteve na vanguarda, tanto do estudo teológico como da expressão literária. Saltam-nos à memória os nomes dos grandes doutores e escritores, como Orígenes, Santo Atanásio e S. Cirilo, luminares da Escola Alexandrina; e, na outra extremidade mediterrânica da África, Tertuliano, S. Cipriano, e sobretudo Santo Agostinho, um dos espíritos mais brilhantes do cristianismo. Recordemos os grandes santos do deserto, Paulo, Antão e Pacómio, primeiros fundadores do monaquismo, que depois havia de difundir-se a seu exemplo, no Oriente e no Ocidente. E, entre tantos outros, não podemos deixar de mencionar S. Frumêncio, chamado Abba Salama, que, tendo sido sagrado Bispo por Santo Atanásio, foi o apóstolo da Etiópia”. Durante estes primeiros séculos da Igreja em África, também algumas mulheres deram testemunho de Cristo. De entre elas, obrigatória é a menção particular das Santas Felicidade e Perpétua, Santa Mônica, e Santa Tecla.
 
“Estes exemplos luminosos e as figuras dos Santos Papas africanos Vítor I, Melquíades e Gelásio I, pertencem ao património comum da Igreja; e os escritos dos autores cristãos da África ainda hoje são fundamentais para o aprofundamento histórico da salvação, à luz da Palavra de Deus. Ao recordar as antigas glórias da África cristã, desejaríamos exprimir o nosso profundo respeito pelas Igrejas, com as quais ainda não estamos em plena comunhão: a Igreja Grega do Patriarcado de Alexandria, a Igreja Copta do Egipto e a Igreja da Etiópia, que têm em comum com a Igreja Católica a origem e a herança doutrinal e espiritual dos grandes santos e Padres da Igreja, não somente da sua terra, mas de toda a Igreja Antiga. Elas trabalharam e sofreram muito para manter vivo o nome cristão na África, através das vicissitudes dos tempos”.

Essas Igrejas dão ainda hoje o testemunho da vitalidade cristã, que elas recebem das suas raízes apostólicas, particularmente no Egipto e na Etiópia, e, até ao século XVII, na Núbia. No resto do Continente, começava então uma nova etapa de evangelização.

Imagem: https://pt.wikipedia.org/wiki/Papa_Paulo_VI