Atitude dos Apóstolos

"Eu peço para vós sobretudo a graça do apostolado. Antes de tudo, é ela que vos é necessária. Sede apóstolos, apenas isto, ou pelo menos não sejam nada exceto para esta finalidade."
Lavigerie, 22 nov. 1879
 
A caridade de Cristo nos constrange (cf. 2Cor 5,14), faz de nós apóstolos e unifica toda a nossa vida pelo serviço do Evangelho. Animados por esta caridade e dóceis ao Espírito, nós consagramos nossa vida a anunciar Jesus Cristo e seu Evangelho.
A força do Espírito faz de nós homens de esperança. Nossa fé em Jesus Cristo Salvador, nossa confiança em Deus nosso Pai, a certeza de que o Espírito Santo age na comunidade dos crentes e na consciência de todos os homens são a fonte de nosso dinamismo missionário. No trabalho cotidiano – no interior e nas fronteiras da Igreja – nós vivemos alegremente esse dinamismo, em atos e palavras, com um “devotamento acima do ordinário”, na esperança do Reino.
No seguimento de Jesus Cristo, somos enviados a levar a Boa Nova aos pobres, anunciar o Reino de paz, de justiça e de fraternidade. Por nossos atos, nossas palavras e nosso estilo de vida, queremos ser as testemunhas do amor preferencial do Pai pelos pequenos e pelos pobres.
A caridade apostólica exige de nós o “tudo para todos” (cf. 1Cor 9,22), isto é, uma atitude de acolhida, de abertura, de proximidade aos homens; uma grande simplicidade em nossos relacionamentos com eles; o estudo perseverante de sua língua e de seus costumes; um conhecimento da história, das culturas e das situações dos países onde trabalhamos; uma participação ativa nos esforços que visam a encarnar de o Evangelho em todas as culturas.
A obediência apostólica é uma atitude fundamental de nossa vida de enviados. Ela nos faz semelhantes a Cristo, fiéis à vontade do Pai, atentos ao Espírito Santo. Ela nos torna prontos a buscar a Deus em todas as coisas, disponíveis àquilo que pedem de nós a Igreja e os responsáveis pela Sociedade.
Nossa pobreza pessoal e comunitária é fidelidade ao Espírito de Jesus. Para viver nossa condição de homem, Cristo se despojou de si mesmo (Fl 2,7), por amor, tudo partilhou e tudo doou. Desapegados de tudo, nó estaremos mais disponíveis aos apelos do Espírito para a Missão. Nós seremos mais abertos a todos os homens, prontos a partilhar com eles tudo o que possuímos de Deus.
Nossa pobreza pessoal e comunitária deve ser um testemunho evangélico. A partilha de nossa vida e de nossos bens, nosso estilo de vida simples querem testemunhar nossa solidariedade com os pobres e nossa recusa em dar prioridade à riqueza e ao conforto material.
Nossas comunidades são o primeiro lugar para partilhar e pôr em comum àquilo que somos e aquilo que temos. Elas devem ser também o lugar de discernimento comunitário para o uso de nossos bens pessoais e dos dons recebidos. Tudo o que recebemos ou adquirimos por nosso trabalho é destinado ao serviço do Reino, segundo as Regras da Sociedade.
O celibato, livremente escolhido por amor a Cristo e ao Reino, é um dom do Espírito. Este dom nos torna livre para nos apegarmos sem reservas ao Senhor; ele faz de nós homens-para-os-outros em nossas comunidades e junto daqueles aos quais somos enviados. O celibato nos convida incessantemente a abrir nossos corações às Bem-aventuranças de Cristo e aos valores que permanecem, e a dar testemunho deles diante dos homens de nosso tempo. A vida fraterna nos ajuda a viver isto na alegria.
 
“Nós também alimentamos a decisão íntima de conservar o “sentido de Igreja”, como outrora nosso Fundador, e de ser solidários com o Povo de Deus, na fidelidade ao Papa que preside a caridade das Igrejas”.