ESPIRITUALIDADE MISSIONÁRIA


Como Abrão e Paulo somos chamados para Deus a sair e ir longe das nossas terras para realizar o projeto de Deus:
 
“O Senhor disse a Abrão: Deixa tua terra, tua família e a casa de teu pai e vai para a terra que eu te mostrar. Farei de ti uma grande nação; eu te abençoarei e exaltarei o teu nome, e tu  serás uma fonte de bênçãos. Abençoarei aqueles que te abençoarem, e amaldiçoarei aqueles que te amaldiçoarem; todas as famílias da terra serão benditas em ti. Abrão partiu como o  Senhor lhe tinha dito”. (Gênesis 12: 1-4, Tradução da Bíblia Ave Maria) 
 
A Paulo que queria evangelizar os Judeus, Jesus disse: “Vai, porque eu te enviarei para longe, às nações” (Atos dos Apóstolos 22, 21, Tradução da Bíblia Ave Maria)
 
Somos apóstolos, enviados por Cristo para realizar o projeto de Deus.
 

“Eu peço para vós sobretudo a graça do apostolado. Antes de tudo, é ela que vos é necessária. Sede apóstolos, apenas isto, ou pelo menos não sejam nada exceto para esta finalidade.”
Lavigerie, 22 nov. 1879

 A caridade de Cristo nos constrange (cf. 2Cor 5,14), faz de nós apóstolos e unifica toda a nossa vida pelo serviço do Evangelho. Animados por esta caridade e dóceis ao Espírito, nós consagramos nossa vida a anunciar Jesus Cristo e seu Evangelho.
 
A força do Espírito faz de nós homens de esperança. Nossa fé em Jesus Cristo Salvador, nossa confiança em Deus nosso Pai, a certeza de que o Espírito Santo age na comunidade dos crentes e na consciência de todos os homens são a fonte de nosso dinamismo missionário. No trabalho cotidiano – no interior e nas fronteiras da Igreja – nós vivemos alegremente esse dinamismo, em atos e palavras, com um “devotamento acima do ordinário”, na esperança do Reino.
 
No seguimento de Jesus Cristo, somos enviados a levar a Boa Nova aos pobres, anunciar o Reino de paz, de justiça e de fraternidade. Por nossos atos, nossas palavras e nosso estilo de vida, queremos ser as testemunhas do amor preferencial do Pai pelos pequenos e pelos pobres.
 
A caridade apostólica exige de nós o “tudo para todos” (cf. 1Cor 9,22), isto é, uma atitude de acolhida, de abertura, de proximidade aos homens; uma grande simplicidade em nossos relacionamentos com eles; o estudo perseverante de sua língua e de seus costumes; um conhecimento da história, das culturas e das situações dos países onde trabalhamos; uma participação ativa nos esforços que visam a encarnar de o Evangelho em todas as culturas.
 
A obediência apostólica é uma atitude fundamental de nossa vida de enviados. Ela nos faz semelhantes a Cristo, fiéis à vontade do Pai, atentos ao Espírito Santo. Ela nos torna prontos a buscar a Deus em todas as coisas, disponíveis àquilo que pedem de nós a Igreja e os responsáveis pela Sociedade.
 
​Nossa pobreza pessoal e comunitária é fidelidade ao Espírito de Jesus. Para viver nossa condição de homem, Cristo se despojou de si mesmo (Fl 2,7), por amor, tudo partilhou e tudo doou. Desapegados de tudo, nó estaremos mais disponíveis aos apelos do Espírito para a Missão. Nós seremos mais abertos a todos os homens, prontos a partilhar com eles tudo o que possuímos de Deus.
Nossa pobreza pessoal e comunitária deve ser um testemunho evangélico. A partilha de nossa vida e de nossos bens, nosso estilo de vida simples querem testemunhar nossa solidariedade com os pobres e nossa recusa em dar prioridade à riqueza e ao conforto material.
Nossas comunidades são o primeiro lugar para partilhar e pôr em comum àquilo que somos e aquilo que temos. Elas devem ser também o lugar de discernimento comunitário para o uso de nossos bens pessoais e dos dons recebidos. Tudo o que recebemos ou adquirimos por nosso trabalho é destinado ao serviço do Reino, segundo as Regras da Sociedade.
 
O celibato, livremente escolhido por amor a Cristo e ao Reino, é um dom do Espírito. Este dom nos torna livre para nos apegarmos sem reservas ao Senhor; ele faz de nós homens-para-os-outros em nossas comunidades e junto daqueles aos quais somos enviados. O celibato nos convida incessantemente a abrir nossos corações às Bem-aventuranças de Cristo e aos valores que permanecem, e a dar testemunho deles diante dos homens de nosso tempo. A vida fraterna nos ajuda a viver isto na alegria.
 
“Nós também alimentamos a decisão íntima de conservar o “sentido de Igreja”, como outrora nosso Fundador, e de ser solidários com o Povo de Deus, na fidelidade ao Papa que preside a caridade das Igrejas”.
A Consagração Missionária na Sociedade se faz por meio de uma solene promessa sob a fé do juramento. A fórmula do juramento é, para todos os membros, a seguinte:
 
“Em presença de meus irmãos reunidos e de vós, ó Pai, eu, ….., faço o juramento sobre os Evangelhos de me consagrar de agora em diante e até a morte (ou: por três anos) à missão da Igreja na África segundo as Constituições da Sociedade dos Missionários da África,colocada sob a proteção de Maria Imaculada, Rainha da África. Em consequência, eu prometo e juro ao Superior Geral da Sociedade fidelidade e obediência em tudo o que diz respeito à prática da Caridade apostólica e à vida comum. Além disso, eu prometo e juro observar o celibato por causa do Reino.”
 
​Pelo juramento na Sociedade:
 
• o missionário se consagra a seguir a Cristo;
 
• ele põe sua vida, sob todos os seus aspectos, a serviço do Evangelho e da missão na Sociedade;
 
• ele promete ao Superior Geral obedecer em tudo o que diz respeito à prática do apostolado e da vida em comum;
 
• ele se compromete a viver com seus irmãos um estilo de vida simples;
 
• ele assume livremente o celibato por causa do Reino;
 
• Pelo juramento perpétuo, ele promete manter fielmente este compromisso até a morte.

Os elementos fundantes de uma vivência e de uma autêntica espiritualidade missionária são:

  1. o discipulado, como caminho no seguimento de Jesus, aprendendo e praticando as bem- aventuranças do Reino (cf. Documento de Aparecida 139);
  2. o envio missionário, como saída de si e despojamento radical por causa do Evangelho (cf. Mc 6,8; 10,29);
  3. a proximidade, como encontro com os pobres e os outros, na dinâmica do Bom Samaritano (cf. Lc 10,29-37; Documento de Aparecida 135);
  4. a universalidade evangélica, como abertura “a todas as culturas e todas as verdades, cultivando nossa capacidade de contato humano e diálogo” (Documento Aparecida 377).

(Cf. MISSÃO E COOPERAÇÃO MISSIONÁRIA Orientações para a animação missionária da Igreja no Brasil Conselho Missionário Nacional – Brasil Brasília, 7 de março de 2015 n.28)

Nossa vida espiritual consiste em nossa existência apostólica cotidiana, vivida em profunda conformidade com o Evangelho e na docilidade ativa ao Espírito. Ela é o encontro com Deus tanto na oração como no serviço aos homens; ela é crescimento na santidade pela mesma atividade do amor divino derramado em nossos corações pelo Espírito Santo (cf. Rm 5,5).

Uma vida apostólica guiada pelo Espírito exige uma espiritualidade, uma forma de viver que nos abra à ação de Deus em nós. Fiéis a nosso Fundador e à tradição viva de nossa Sociedade, nós nos inspiramos na espiritualidade inaciana. Esta nos faz descobrir a presença e a ação de Deus no próprio coração de nossa vida. Ela nos convida a uma escolha e a uma superação livres e permanentes para instaurar o Reino de Deus no mundo e nos identificar cada vez mais a Cristo.

Ao partilhar a missão de Cristo, o apóstolo quer unir-se à oração dele. Nossa oração, como a dele, é comunhão com Deus: ela é adoração, louvor, ação de graças; ela nos permite discernir a vontade de Deus nas pessoas, nos acontecimentos e nas situações. Ela intercede pelos homens a fim de que eles acolham o dom da Salvação.

Nós estamos conscientes da necessidade, para a evangelização, de nossa oração pessoal e comunitária; queremos também partilhar da oração dos cristãos. A oração é alma de toda a nossa vida apostólica e um testemunho junto aos crentes e não crentes entre os quais nós vivemos.

É indispensável organizar nossa oração pessoal e comunitária. Cada comunidade decide sobre o tempo, o ritmo, as formas de sua oração comum, e faz regularmente a sua avaliação. Ela ordena sua vida de modo que a oração pessoal de cada um seja garantida e encorajada.

As verdadeiras fontes da vida espiritual são a Palavra de Deus, a liturgia e a caridade vivida. Nossa vida aí encontra solidez, dinamismo e alegria. A Eucaristia é o ápice de nossa oração de apóstolos. Ela é preparada e prolongada pela leitura e meditação cotidiana da Escritura, pela oração das Horas em união com toda a Igreja.

Os missionários recitam todos os dias Laudes e Vésperas (cf. can. 1174, § 1). Cada comunidade determina as Horas a serem recitadas em comum. Os missionários ordenados são obrigados, além disso, a recitar cada dia a Liturgia das Horas integralmente (can. 276, § 2, 3°).

O discernimento no Espírito, a prática do diálogo espiritual, o recurso regular ao sacramento da reconciliação, o retiro anual e os retiros mensais nos ajudam a prosseguir nossa caminhada, com todo o nosso ser voltado para o objetivo: ser alcançados por Cristo Jesus (cf. Fl 3, 10-14).

A Sociedade recomenda aos missionários a leitura cotidiana de autores espirituais e uma forma concreta de devoção à Virgem Santíssima. Ela propõe um retiro de trinta dias depois de muitos anos de vida missionária.

Cada comunidade decide sobre a forma a ser dada às orações comuns pelos missionários e benfeitores falecidos. Muitas vezes no ano celebra-se a Eucaristia nesta intenção.

A comunidade da Casa Generalícia celebra cada ano uma Eucaristia na intenção de todos os missionários e benfeitores falecidos, e uma outra em memória do Fundador.